
Painel debate a soberania tecnológica no setor de energia durante o XI Congresso ABIPTI
05/05/2026
BNDES, MCTI e CGEE defendem política de Estado e novos indicadores para a inovação
05/05/2026A consolidação da soberania tecnológica e os caminhos para a autonomia produtiva na área da saúde centralizaram os debates do XI Congresso ABIPTI, em São Paulo. Durante o painel “Saúde, Biotecnologia e a Soberania Tecnológica”, especialistas analisaram o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), setor que movimenta 10% do PIB nacional, mas que ainda enfrenta um déficit comercial anual de aproximadamente US$ 20 bilhões.
O moderador do debate, Prof. Dr. Atson Fernandes, Pró-Reitor de Pesquisa e Inovação da Fundação BAHIANA, abriu a sessão destacando a importância estratégica de construir capacidades inovadoras locais para garantir a autonomia do país, especialmente em períodos de crise global. “A soberania em saúde exige uma construção contínua e decisões consistentes que sobrevivam às transições de gestão”, pontuou.
A Dra. Priscilla Ferraz Soares, Vice-Presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, expôs a vulnerabilidade brasileira evidenciada pela pandemia de Covid-19, quando o controle de 88% das patentes mundiais por dez países de alta renda impôs barreiras ao acesso a insumos críticos. “A Fiocruz em o papel importante na internalização de tecnologias e atua para garantir a segurança sanitária nacional e combater o negacionismo científico por meio de infraestruturas robustas e parcerias estratégicas, ressaltou.
No campo da genética, a Dra. Lygia da Veiga Pereira (USP/Gen-t) abordou a necessidade de utilizar a biodiversidade brasileira como ativo para a medicina de precisão. Ao discutir sua trajetória e os gargalos do setor, a Dra. Lygia alertou sobre as barreiras burocráticas que comprometem a competitividade nacional. “Mesmo tendo dinheiro, se eu preciso de um reagente novo… vai demorar dois meses, três meses para chegar. Como é que você quer ser competitivo assim?”. Ela reforçou ainda a importância da ciência básica, destacando que “a gente nunca sabe de onde vai sair a inovação” e citou o exemplo do sistema CRISPR como fruto de pesquisas fundamentais.
A Dra. Tatiana Sampaio (UFRJ) detalhou o desenvolvimento da polilaminina, biomaterial voltado à regeneração nervosa em lesões medulares. Ao discutir políticas públicas, a pesquisadora defendeu o enfrentamento de gargalos estruturais que mantêm a ciência brasileira em estágio de dependência.
“O foco excessivo em métricas de produtividade acadêmica prejudica a inovação, pois o tempo e o sigilo necessários para proteger a propriedade intelectual muitas vezes conflitam com a exigência de publicações constantes. Somam-se a isso os altos custos da pesquisa translacional e sistemas regulatórios que favorecem grandes indústrias farmacêuticas, dificultando a competitividade nacional”, enfatizou.
Como solução, a pesquisadora citou o caso da polilaminina, viabilizada por uma parceria com um laboratório. “Nesse modelo de cooperação, a empresa ressarciu o investimento público prévio da universidade, exemplificando como a união entre a excelência acadêmica e a capacidade industrial pode converter conhecimento em soberania”, concluiu.
O XI Congresso ABIPTI que acontece em São Paulo é uma realização da Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica e Inovação e conta com o patrocínio do ICTi Itaú Unibanco, Finep, Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, CNPq e Governo Federal.
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