
A ciência como ativo estratégico: Margarida Mano expõe sobre o novo tabuleiro global da tecnologia e soberania no XI Congresso ABIPTI
05/05/2026
Avanços em genômica e biomateriais pautam discussões sobre o futuro da saúde no XI Congresso ABIPTI
05/05/2026O debate concentrou-se na análise das infraestruturas de dados, regulação setorial e o papel das Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) para garantir a autonomia brasileira frente às transformações globais e à ascensão da inteligência artificial.
A professora Verena Hitner, da Unicamp, iniciou a discussão abordando a simbiose entre ciência e capital no atual contexto da sociedade em rede. Hitner destacou que a soberania nacional depende da capacidade de processamento de informações e da organização de infraestruturas de dados que dialoguem entre si. Segundo a docente, o modelo de publicação científica atual impõe custos elevados que impactam a produção nacional.
“A história humana é a história das redes de informação que criamos e agora estamos diante da primeira rede não humana da história, a IA, que pode assumir o controle sobre como percebemos e organizamos o mundo”, afirmou Verena Hitner. Ela defendeu a necessidade de políticas que integrem as TICs com bases governamentais e indicadores estaduais para fundamentar uma ciência soberana.
Djane Melo, assessora da diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), apresentou o panorama de investimentos no setor elétrico. Ela detalhou o funcionamento do Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI), que obriga concessionárias e permissionárias a destinarem um percentual de sua receita para projetos de fomento à inovação.
“As concessionárias e permissionárias devem investir todos os anos um percentual mínimo de sua receita em projetos de fomento à inovação no setor elétrico”, explicou Djane Melo. A assessora apresentou dados sobre a distribuição de recursos, apontando que, em 2024, órgãos como a ANP e a Finep concentraram a maior parte dos valores destinados à inovação tecnológica, enquanto a ANEEL respondeu por 8,6% do montante de R$ 10,2 bilhões mapeados.
O debate contou também com as perspectivas técnicas de Rodrigo Galvão, do Cepel, e Carlos Ribas, do LACTEC. Ribas abordou a importância de conectar os resultados das pesquisas laboratoriais com as demandas reais do mercado consumidor e das indústrias, de modo a transformar o conhecimento gerado em solução comercial e soberania econômica.
“Precisamos aproximar a academia e os centros de pesquisa da ponta final, que é o mercado, para que a tecnologia brasileira não fique restrita ao laboratório”, pontuou Carlos Ribas. Complementando a visão de infraestrutura, Rodrigo Galvão destacou que “a soberania energética brasileira passa obrigatoriamente pela digitalização e pela capacidade do Cepel e demais ICTs em prover soluções que garantam a estabilidade do sistema nacional”.
O XI Congresso ABIPTI prossegue com sua programação no Villa Glam, em Moema, com o apoio de ICTi Itaú Unibanco, Finep, MCTI, CNPq e Governo Federal, mantendo o foco na celebração dos 45 anos da associação e no fortalecimento do sistema nacional de ciência e tecnologia.
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