
O papel do FNDCT na garantia da autonomia científica e tecnológica do Brasil
06/05/2026
Inovação e proteção: o equilíbrio da propriedade intelectual na era da inteligência artificial em pauta no XI Congresso ABIPTI
07/05/2026O Painel 7 do XI Congresso ABIPTI abordou o tema “Soberania Tecnológica e Segurança Nacional: um olhar sobre áreas e indicadores estratégicos”, reunindo especialistas para analisar como o fortalecimento da ciência e da inovação impacta a proteção e o desenvolvimento do país. O debate evidenciou que a autonomia digital e produtiva deixou de ser uma meta setorial para se tornar uma estratégia de Estado indispensável à integridade nacional.
A Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), detalhou sua operação como infraestrutura digital pública essencial. Com uma malha sustentada pela Rede Ipê, que possui capacidade de 4,8 Tb/s, a organização integra universidades, institutos de pesquisa e hospitais. Segundo o diretor-geral da RNP, Lisandro Zambenedetti Granville, a instituição atua como articuladora de políticas públicas e operadora de infraestrutura crítica. “A RNP não atua apenas como uma provedora de conectividade, mas como uma infraestrutura digital pública essencial para o desenvolvimento científico e tecnológico do país”, pontuou Granville.
O planejamento da RNP para o triênio 2024-2026 foca na expansão de infovias estaduais e na descentralização da defesa cibernética, com a implementação de cinco Centros de Operações de Segurança (SOCs) em Teresina, Brasília, Macapá, Campinas e Porto Alegre. O objetivo é proteger dados estratégicos e padronizar a maturidade digital. “A malha nacional integrada visa padronizar a maturidade cibernética no país, protegendo infraestruturas críticas de saúde digital e dados estratégicos do Estado”. disse Granville acrescentando que no campo humano, o projeto Hackers do Bem já soma 162 mil inscritos, reforçando a formação de talentos para a resiliência dos sistemas nacionais.
O diagnóstico de dependência tecnológica externa foi aprofundado pela Softex, que alertou para a perda de competitividade gerada pelo consumo passivo de soluções estrangeiras. Christian Tadeu de Souza Santos, presidente da Softex, defendeu a migração do Brasil para uma posição de liderança global. “O Brasil precisa migrar do papel de usuário para o de protagonista: produzir, exportar e liderar, pois a soberania tecnológica é uma decisão política e estratégica urgente”, enfatizou.
Para a Softex, a soberania consiste na autonomia para decidir caminhos em áreas como Inteligência Artificial e semicondutores, aproveitando vocações regionais que vão da bioeconomia no Norte à indústria de ponta no Sul.
A segurança nacional também foi discutida sob a ótica do controle de suprimentos globais. O Contra-Almirante Charles Wilson Gomes Conti, diretor do Departamento de Ciência, Tecnologia e Inovação da SEPROD, destacou que a dependência de componentes externos compromete a autonomia decisória do Estado. “A redução da dependência tecnológica estrangeira é o caminho para garantir o poder de dissuasão e a pronta-resposta em situações de crise ou conflito”, afirmou.
O Ministério da Defesa monitora 28 tecnologias essenciais, incluindo criptografia pós-quântica e sensores de alta precisão, visando uma Base Industrial de Defesa capaz de operar sem restrições externas. “O foco está no investimento contínuo em Pesquisa e Desenvolvimento e na formação de talentos para fortalecer a Base Industrial de Defesa”, reiterou o Contra-Almirante.
A mediação do painel foi conduzida por Sílvio Bitencourt, diretor do TECNOSINOS, que provocou a reflexão sobre como a tecnologia molda uma nova camada de realidade. Bitencourt alertou para os desafios éticos dessa integração inevitável entre o humano e o digital. “Mas, por outro lado, esse cenário também traz desafios éticos profundos. Se a tecnologia se torna a nossa realidade principal, o que acontece com a nossa relação com o mundo natural? E quem controla essa infraestrutura tecnológica que passa a definir a nossa existência?”, questionou o moderador, reforçando a necessidade de vigilância constante sobre as estratégias que transcendem gestões governamentais.
O XI Congresso ABIPTI aconteceu em São Paulo, de 4 a 6 de maio, no Villa Glam, em Moema, com a realização da Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica e Inovação, contou com o patrocínio do ICTi Itaú Unibanco, Finep, Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Governo Federal e CNPq.
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