
Avanços em genômica e biomateriais pautam discussões sobre o futuro da saúde no XI Congresso ABIPTI
05/05/2026
Soberania tecnológica une P&D Brasil, Anprotec, CNI e FORTEC em debate sobre futuro da inovação no país
06/05/2026O futuro da indústria brasileira não cabe em um mandato presidencial. Esse foi o tom central das discussões no XI Congresso da ABIPTI, realizado nesta segunda-feira (5), em São Paulo. Representantes do BNDES, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) convergiram na tese de que a Nova Indústria Brasil (NIB) precisa de perenidade, articulação entre órgãos públicos e um novo sistema de avaliação para transformar o país até 2033.
Para Maurício dos Santos Neves, chefe do Departamento de Inovação e Estratégia Industrial do BNDES, a NIB deve ser compreendida como um organismo vivo e de fôlego longo. Ele comparou o desafio industrial ao sucesso histórico do agronegócio brasileiro. “Pode até mudar de nome, pode não chamar NIB, mas política industrial em horizonte de quatro anos eu não conheço mundo afora nenhuma que tenha existido. Se for olhar para o lado asiático, vemos políticas de 30, 40 anos”, afirmou Neves. “Nosso setor agro é pujante, é um sucesso, mas há quantos anos existe o Plano Safra?”
O executivo ressaltou que o BNDES integra o Plano Mais Produção, com R$ 700 bilhões mobilizados, e que o foco atual é evitar a fragmentação das ações. O setor de saúde foi citado como exemplo de sucesso na articulação entre o poder de compra do SUS, empresas e agências como FINEP e Embrapii.
O secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCTI, Daniel Almeida, detalhou como a NIB se conecta com ferramentas práticas como a Lei do Bem. Segundo ele, a política pública deve seguir um encadeamento lógico: definir a estratégia, financiar e, por fim, avaliar para adaptar.
No ano-base 2024, os números impressionam: 2.488 empresas utilizaram os incentivos da Lei do Bem, somando mais de 11 mil projetos vinculados às missões da NIB. “Nada que vale a pena se faz em quatro anos. Por isso, a NIB está planejada até 2033. Precisamos de uma política pública que permita investimento rápido e com segurança jurídica. É o que a Lei do Bem faz”, defendeu Almeida.
Um dos pontos mais críticos do debate foi levantado por Caetano Penna, diretor do CGEE. Ele alertou para um “vácuo de evidências” no lado da inovação tecnológica, em contraste com o setor científico, que já possui marcadores bem consolidados.
Penna criticou a dependência excessiva de patentes como principal indicador de sucesso, classificando-as como um “proxy fraco” para inovação real, que exige a colocação efetiva de produtos no mercado.
“O que medimos define o que nós incentivamos. Indicadores não são neutros; eles carregam vieses”, provocou Penna. “Sabemos que a Lei do Bem gera gasto adicional em pesquisa, mas não temos dados sobre a adicionalidade do produto de fato: novos itens no mercado e ganhos de produtividade.”
O CGEE trabalha agora em novos instrumentos para corrigir esse desequilíbrio e fornecer dados que sustentem a evolução do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).
Seis missões da NIB
A Nova Indústria Brasil possui seis missões prioritárias: cadeias industriais sustentáveis e digitais; complexo econômico e industrial da saúde; infraestrutura, saneamento, moradia e mobilidade sustentáveis; transformação digital da indústria; bioeconomia, descarbonização e transição e segurança energéticas; e tecnologias de interesse para a soberania e defesa nacionais.
O XI Congresso da ABIPTI
O XI Congresso ABIPTI acontece em São Paulo, de 4 a 6 de maio, no Villa Glam, em Moema. É uma realização da ABIPTI, e conta com o patrocínio do ICTi Itaú Unibanco, Finep, Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e CNPq, reunindo ICTs, governo, setor produtivo e academia para debater soberania tecnológica e inovação.
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